Falsificação e ambulantes na 25 de Março: Valor cita prejuízo de R$ 514 bi e avanço nos marketplaces

Movimento de pedestres e lojas na Rua 25 de Março, centro de São Paulo
Comércio na Rua 25 de Março, polo citado na reportagem do Valor Otávio Nogueira / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Reportagem do Valor abre na região da 25 de Março e aponta que produtos ilegais retiraram R$ 514 bilhões da economia formal em 2025; 36% das mercadorias irregulares já passam por e-commerce.

Ladeira Porto Geral, no centro de São Paulo, com comércio e pedestres
Ladeira Porto Geral, rua vizinha da 25 de Março Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Uma reportagem do Valor Econômico publicada nesta quinta-feira (15) abre exatamente na região da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo: camelôs e ambulantes disputam espaço com bolsas, tênis, brinquedos, roupas, fantasias, utilidades domésticas e eletrônicos — muitos sem nota fiscal, segundo o texto —, enquanto lojas vizinhas também entram na cena descrita pela publicação.

O gancho local serve para falar de um problema maior. Segundo o Anuário da Falsificação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), com base em dados de setores empresariais e da Receita Federal, os produtos ilegais retiraram da economia formal brasileira R$ 514 bilhões em 2025 — soma do que a indústria deixa de faturar e do que o governo deixa de arrecadar. Em 2010, o mesmo levantamento apontava cerca de R$ 100 bilhões.

O que a reportagem destaca na 25 de Março

O Valor cita imitações de marcas como Nike, Adidas e da grife californiana Alo: um shorts da marca original sairia por cerca de R$ 610, enquanto na 25 de Março a versão paralela apareceria por cerca de R$ 60. O preço, que pode chegar a um décimo do original, é o principal atrativo da falsificação, da pirataria e do contrabando, segundo a matéria.

Para quem vende com nota e reposição formal na rua e no entorno (Barão de Duprat, Ladeira Porto Geral, Galeria Pagé), o recado prático é o mesmo de sempre: o cliente compara preço na hora, e o produto irregular disputa o mesmo olhar — o que aperta margem e reputação de quem trabalha no legal.

Marketplaces e fiscalização

  • E-commerce: o diretor da ABCF, Rodolpho Ramazzini, diz ao Valor que 36% dos produtos ilegais presentes no mercado brasileiro já são negociados em plataformas online; até a pandemia, eram cerca de 10%.
  • Fronteira: ele compara a equipe da Receita (cerca de 3.200 agentes no país) com portos europeus e afirma que o Brasil apreende só cerca de 6% do volume ilegal que entra.
  • Saúde: a reportagem liga o avanço do crime organizado a setores de alta alíquota (cigarros, bebidas, combustíveis) e a medicamentos, incluindo canetas emagrecedoras irregulares vindas do Paraguai ou manipuladas sem registro.

Suzane Strehlau, da ESPM, lembra ao jornal que o preço baixo muitas vezes vem da sonegação, e que menos arrecadação significa menos recurso para saúde, educação e segurança. Juliana Pereira, do IPSConsumo, reforça que o consumidor “nunca sai ganhando” com produto ilegal.

A 25 de Março Já já acompanhou, em outras datas, a inclusão da rua em listas internacionais de mercados sob suspeita de pirataria e operações de fiscalização pontuais. A matéria de hoje do Valor reforça o ponto para o lojista formal: Black Friday e Natal aumentam o fluxo — e também a pressão de preços irregulares, na rua e no celular.

Com informações do Valor Econômico (15/10/2026) e da ABCF.

Fontes

Notícias da 25 de Março