Obras nos calçadões do Centro Histórico atrasam e comerciantes vizinhos da 25 de Março relatam queda no movimento

Pedestres caminham pelo calçadão de pedras portuguesas da Rua Direita, com lojas de toldos listrados dos dois lados
Calçadão da Rua Direita, no Triângulo Histórico, com o antigo piso de pedras portuguesas, em foto de arquivo joão Scarpi / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Prefeitura promete terminar o Triângulo Histórico até o fim do ano; lojistas da São Bento, da José Bonifácio e da Dom José de Barros falam em vendas até 80% menores.

Prédios históricos na esquina da Rua São Bento com a Rua Álvares Penteado, vistos de baixo
Esquina da Rua São Bento com a Álvares Penteado, no centro velho de São Paulo Luiz coelho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A reforma dos calçadões do Centro de São Paulo, que deveria ter ficado pronta em maio, segue em andamento e já pesa no caixa de quem tem comércio na região. Reportagem da rádio CBN publicada nesta quarta-feira (14) ouviu donos de bares e lojas que relatam ruas esvaziadas, clientes afastados e prejuízo acumulado desde que os canteiros chegaram às suas portas.

O projeto da Prefeitura começou em 2023 e prevê recuperar quase 100 mil metros quadrados de calçadões em 35 vias do Centro, com investimento acima de R$ 120 milhões. As antigas pedras portuguesas, colocadas nos anos 1970, estão sendo trocadas por blocos de concreto, e o pacote inclui melhorias de acessibilidade, iluminação e o enterramento de fiação.

Por que atrasou

Segundo a Prefeitura, o cronograma precisou ser revisto por causa de achados arqueológicos, de ajustes nas redes subterrâneas de energia e gás e de cuidados extras de segurança. Em resposta à Folha de S.Paulo na semana passada, a gestão também citou o tempo maior que o previsto para o Iphan, órgão federal do patrimônio, autorizar as escavações.

A nova previsão depende da região. No Triângulo Histórico, área entre a Praça da Sé, o Largo São Bento e o Largo São Francisco, a poucos quarteirões da 25 de Março, 17 das 23 vias já têm obras concluídas ou parcialmente concluídas, e a promessa é terminar até o fim deste ano. No chamado Quadrilátero Histórico, na região da República, a entrega ficou para janeiro de 2027.

O que dizem os comerciantes

Na Rua Dom José de Barros, perto da Sete de Abril, os bares perderam o espaço das mesas na calçada. Uma comerciante contou à CBN que o faturamento caiu entre 70% e 80%, que precisou fechar uma das casas e pegar um empréstimo para manter a equipe. Na Rua José Bonifácio, um funcionário de loja de roupas disse que o movimento de clientes e turistas diminuiu e que, com o piso irregular e bocas de lobo fechadas, a água da chuva passou a entrar na loja pela primeira vez em 12 anos.

Na Rua São Bento, uma das principais vias de comércio do Triângulo, o Diário do Comércio já tinha encontrado em setembro lojistas reclamando de poeira, lama e máquinas trabalhando em pleno horário comercial, com relatos de dias seguidos quase sem clientes.

Fim de ano no radar

O calendário preocupa porque o trecho é caminho de muitos consumidores que chegam a pé ao comércio popular a partir das estações Sé e São Bento, justamente na época de maior movimento, com Black Friday em 27 de novembro e as compras de Natal logo em seguida. A Prefeitura afirma que mantém diálogo com moradores e comerciantes afetados e que sinaliza e organiza os trechos em obra para garantir o acesso e a circulação.

Com informações da CBN, da Folha de S.Paulo e do Diário do Comércio.

Fontes

Notícias da 25 de Março