A reforma dos calçadões do Centro de São Paulo, que deveria ter ficado pronta em maio, segue em andamento e já pesa no caixa de quem tem comércio na região. Reportagem da rádio CBN publicada nesta quarta-feira (14) ouviu donos de bares e lojas que relatam ruas esvaziadas, clientes afastados e prejuízo acumulado desde que os canteiros chegaram às suas portas.
O projeto da Prefeitura começou em 2023 e prevê recuperar quase 100 mil metros quadrados de calçadões em 35 vias do Centro, com investimento acima de R$ 120 milhões. As antigas pedras portuguesas, colocadas nos anos 1970, estão sendo trocadas por blocos de concreto, e o pacote inclui melhorias de acessibilidade, iluminação e o enterramento de fiação.
Por que atrasou
Segundo a Prefeitura, o cronograma precisou ser revisto por causa de achados arqueológicos, de ajustes nas redes subterrâneas de energia e gás e de cuidados extras de segurança. Em resposta à Folha de S.Paulo na semana passada, a gestão também citou o tempo maior que o previsto para o Iphan, órgão federal do patrimônio, autorizar as escavações.
A nova previsão depende da região. No Triângulo Histórico, área entre a Praça da Sé, o Largo São Bento e o Largo São Francisco, a poucos quarteirões da 25 de Março, 17 das 23 vias já têm obras concluídas ou parcialmente concluídas, e a promessa é terminar até o fim deste ano. No chamado Quadrilátero Histórico, na região da República, a entrega ficou para janeiro de 2027.
O que dizem os comerciantes
Na Rua Dom José de Barros, perto da Sete de Abril, os bares perderam o espaço das mesas na calçada. Uma comerciante contou à CBN que o faturamento caiu entre 70% e 80%, que precisou fechar uma das casas e pegar um empréstimo para manter a equipe. Na Rua José Bonifácio, um funcionário de loja de roupas disse que o movimento de clientes e turistas diminuiu e que, com o piso irregular e bocas de lobo fechadas, a água da chuva passou a entrar na loja pela primeira vez em 12 anos.
Na Rua São Bento, uma das principais vias de comércio do Triângulo, o Diário do Comércio já tinha encontrado em setembro lojistas reclamando de poeira, lama e máquinas trabalhando em pleno horário comercial, com relatos de dias seguidos quase sem clientes.
Fim de ano no radar
O calendário preocupa porque o trecho é caminho de muitos consumidores que chegam a pé ao comércio popular a partir das estações Sé e São Bento, justamente na época de maior movimento, com Black Friday em 27 de novembro e as compras de Natal logo em seguida. A Prefeitura afirma que mantém diálogo com moradores e comerciantes afetados e que sinaliza e organiza os trechos em obra para garantir o acesso e a circulação.
Com informações da CBN, da Folha de S.Paulo e do Diário do Comércio.