A maior rede de lojas de brinquedos do país ganhou tempo. A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aceitou, na sexta-feira (23), processar o pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy e de outras cinco empresas do grupo, entre elas a PBKids, a importadora e distribuidora New Toys e a DRH Casa de Festa. O grupo tenta renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas, como o 25 de Março Já noticiou quando o pedido foi apresentado, no domingo (18).
O que a decisão garante
Segundo a CNN Brasil, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira deu à rede 90 dias para conseguir a adesão da maioria dos credores ao plano e suspendeu por 180 dias as ações e cobranças ligadas às dívidas incluídas na negociação. Os pedidos das seis empresas vão tramitar juntos, mas cada uma terá de provar o apoio dos próprios credores. Uma administradora judicial foi nomeada para acompanhar o processo. Depois da fase de adesões, quem discordar terá 30 dias para contestar, e só então a Justiça decide se homologa o plano.
A Ri Happy tem 204 lojas próprias e 88 franquias, emprega diretamente mais de 2,6 mil pessoas e fatura em média R$ 1,2 bilhão por ano. No pedido, a empresa atribui a crise aos efeitos da pandemia, aos juros altos, ao crédito mais caro para as famílias e à concorrência de brinquedos asiáticos vendidos por plataformas como Shopee e AliExpress. Com base em dados da Scanntech, a rede afirma que a venda de brinquedos caiu 15,5% em 2024.

A corrida pelo estoque
O desafio mais urgente, segundo o jornal A Tarde, é dinheiro para comprar mercadoria. A nova controladora, a gestora BluSun Capital Partners, precisa garantir recursos para abastecer as lojas antes da Black Friday e do Natal, o período mais importante do ano para o setor. Renegociar a dívida não coloca dinheiro novo no caixa, e um eventual aporte da BluSun é visto como peça-chave para financiar as compras, que no ramo de brinquedos costumam ser fechadas meses antes das vendas de fim de ano.
O que muda para o comércio da 25 de Março
A região da 25 de Março e da Rua Barão de Duprat reúne lojas de brinquedos, artigos de festa e importadoras que abastecem revendedores de todo o país. Se a maior rede do setor entrar no Natal com prateleiras mais vazias, parte da procura pode migrar para o comércio independente e para o atacado do centro. Ao mesmo tempo, o caso mostra a pressão que todo o segmento enfrenta: juros altos, consumidor endividado e concorrência dos sites estrangeiros. No Dia das Crianças deste ano, as lojas de brinquedos já haviam vendido menos do que em 2025, segundo o índice de varejo da Cielo. Para o lojista, vale reforçar o estoque de itens de giro rápido e negociar prazos com fornecedores com antecedência.
Com informações da CNN Brasil e do jornal A Tarde.




