Rotatividade no varejo paulista chega a 63% e é maior nas lojas de roupas e tecidos, aponta FecomercioSP

Fachadas coloridas de lojas e movimento de pedestres na Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo
Lojas da Rua 25 de Março: vestuário, tecidos e calçados têm a maior rotatividade de funcionários do comércio paulista, segundo a FecomercioSP Marilane Borges / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 12 meses até junho, 63 de cada 100 vagas formais do comércio paulista trocaram de ocupante, maior nível desde 2022. Vestuário, tecidos e calçados lideram, com 79,1%. Para quem vai contratar para Black Friday e Natal, segurar a equipe virou conta de custo.

Rua do entorno da 25 de Março cheia de compradores e barracas
Na reta de Black Friday e Natal, o comércio da região reforça as equipes com temporários Rag2.Brazil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A troca de funcionários no comércio do Estado de São Paulo atingiu 63,3% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, o patamar mais alto desde 2022, quando a taxa era de 51%. O cálculo faz parte do Panorama do Comércio de outubro, divulgado pela FecomercioSP nesta sexta-feira (16).

Na prática, para cada 100 vínculos com carteira assinada considerados no levantamento, cerca de 63 passaram por alguma movimentação no período — gente que saiu e precisou ser substituída.

Roupas, tecidos e calçados no topo

O segmento com a maior rotatividade é justamente um dos mais presentes no Centro de São Paulo: as lojas de vestuário, tecidos e calçados, com 79,1%. Em seguida aparecem os supermercados (72,1%) e as lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e departamentos (61,5%).

Para os analistas da federação, o número representa um custo direto para as empresas. Cada troca envolve rescisão (aviso-prévio, FGTS e multas), nova contratação (divulgação da vaga, triagem e exames admissionais) e treinamento inicial. Há ainda um custo menos visível: o tempo até o novo contratado alcançar a produtividade de quem saiu.

O que isso significa na 25 de Março

O dado chega na véspera da temporada mais intensa do ano para o comércio popular. Entre Black Friday, Natal e a preparação para o Carnaval, lojas de armarinho, tecidos, bijuteria, presentes e artigos de festa da região costumam reforçar o balcão com temporários. Como mostrou o 25 de Março Já, a CNDL estima 129,6 mil vagas abertas no varejo para o fim de ano.

Com rotatividade alta, contratar sai mais caro e o atendimento sente a perda de quem já conhece o estoque, os preços de atacado e os clientes revendedores. Algumas medidas ajudam a reduzir esse custo:

  • Treinamento rápido e padronizado sobre produtos, preços e formas de pagamento, para o temporário render desde o primeiro dia.
  • Escalas previsíveis nos picos de movimento, tema que ganha peso com a discussão sobre o fim da escala 6x1.
  • Aproveitar bons temporários como efetivos depois das festas, em vez de recomeçar a seleção do zero no ano seguinte.

O Panorama de outubro também trata do planejamento estratégico das empresas para 2027 e das mudanças esperadas com o Desenrola 3.0.

Com informações da FecomercioSP (Panorama do Comércio, outubro de 2026), Broadcast/Estadão Conteúdo e Times Brasil/CNBC (16/10/2026).

Fontes

Notícias da 25 de Março