Varejo de setembro: Cielo aponta queda real de 3,9% e Stone vê vestuário como único segmento em baixa

Rua 25 de Março lotada de pedestres, com lojas dos dois lados
Movimento de pedestres na Rua 25 de Março Otávio Nogueira / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

ICVA registra o 16º mês seguido de retração real, com São Paulo em -7,1%; índice da Stone mostra alta de 6,3% no trimestre, mas tecidos, vestuário e calçados recuaram.

Pedestres e carros na Rua 25 de Março, no bairro da Sé, em São Paulo
Rua 25 de Março, no centro de São Paulo João Scarpi / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Dois termômetros do varejo divulgados nesta terça-feira (13) trazem sinais diferentes para o comércio, mas convergem em um ponto que interessa a quem vende roupa e acessórios: o segmento de vestuário segue entre os mais fracos.

ICVA: 16 meses de retração

Pelo Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas caíram 3,9% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025, já descontada a inflação. Foi o pior setembro desde 2020 e o 16º mês consecutivo de queda real. Em agosto, o recuo havia sido de 2,2%.

A baixa atingiu os três grandes grupos acompanhados pelo índice. Serviços caíram 9,0%; bens duráveis e semiduráveis, grupo que inclui vestuário, móveis e eletrodomésticos, recuaram 7,3%; e bens não duráveis tiveram a menor queda, de 0,7%. O Sudeste teve o pior desempenho regional (-5,6%), e o estado de São Paulo registrou queda real de 7,1%.

Por canal, o comércio eletrônico cresceu 5,1% em termos nominais, enquanto as lojas físicas ficaram praticamente estáveis, com recuo nominal de 0,1%. Carlos Alves, vice-presidente da Cielo, afirmou que o consumo segue pressionado e que as compras essenciais resistiram melhor.

Stone: alta no trimestre, mas não para a moda

Já o Índice do Varejo Stone apontou crescimento de 6,3% nas vendas do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Setembro, porém, mostrou acomodação, com leve queda de 0,3% sobre agosto. São Paulo cresceu 5,2% na comparação anual do mês.

Dos oito segmentos acompanhados pela Stone, sete cresceram no trimestre. O único em queda foi tecidos, vestuário e calçados, com recuo de 3,5%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico, categoria próxima de boa parte do mix da região, avançaram 2,9% no trimestre, mas caíram 1% em setembro sobre agosto. Para o economista Guilherme Freitas, da Stone, a renda sustenta o consumo do dia a dia, enquanto o crédito caro segura os setores que dependem de financiamento.

Os dois indicadores usam bases e metodologias diferentes, o que ajuda a explicar a divergência nos números gerais. Para o lojista, o recado comum é de cautela na formação de estoques de moda às vésperas da Black Friday e do Natal.

Com informações de Times Brasil/CNBC (Estadão Conteúdo) e E-Commerce Brasil.

Fontes

Notícias da 25 de Março