Comprar fora do país deixou de ser “pedido raro”. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil (com a Offerwise), destacada pela Varejo S.A. em meados de outubro, mostra que 41% dos consumidores pesquisados já fazem compras em sites internacionais todo mês, com média de quatro pedidos nos três meses anteriores ao levantamento.
O recorte importa para quem vende na 25 de Março e no entorno: as categorias mais citadas no exterior — roupas (45%), acessórios de moda (28%), calçados e cosméticos (25% cada) — são exatamente o cardápio do comércio popular de rua e das galerias. Ou seja, a concorrência não é só o shopping ou o marketplace nacional; é a rotina mensal de importação barata no celular.
Números que o lojista precisa ter no radar
- 81,2 milhões de consumidores digitais compraram ao menos um produto importado nos últimos 12 meses (+13,1 milhões frente a 2025).
- Ticket médio da última compra internacional: R$ 188, abaixo dos R$ 225 no e-commerce nacional.
- Pix lidera o pagamento (61%), facilitando pedidos de menor valor e maior frequência.
- Entre canais com vendedor estrangeiro, Shopee (73%) e Shein (50%) concentram a preferência no recorte de sites de importação.
Há atrito: 37% relataram algum problema na última compra internacional (falta de suporte 12%; atraso 10%), mas 81% se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos. Para o varejo brasileiro, o recado da CNDL é claro — a disputa deixou de ser por uma venda isolada e passou a ser pela frequência no orçamento da família.
Na prática da rua, isso reforça o que o polo já sente no Dia das Crianças e na reta da Black Friday: preço e variedade precisam caminhar com retirada rápida, WhatsApp ativo e estoque que o cliente vê na hora. Quem só compete no “mais barato da China” sem diferenciação de atendimento e disponibilidade tende a perder a recorrência que as plataformas estrangeiras já conquistaram.
Com informações da CNDL/SPC Brasil via Varejo S.A. (outubro/2026).