Ir para o conteúdo
25 de Março · São Paulo / 609 lojas na 25 de março
Planeje sua visita
Entrar

Duplicata vira digital: o que muda para o lojista que compra a prazo do fornecedor

Lojas na Rua Florêncio de Abreu, polo atacadista vizinho da 25 de Março
Rua Florêncio de Abreu, no centro: compras a prazo entre atacado e varejo devem migrar para a duplicata digital (imagem ilustrativa) Eli Kazuyuki Hayasaka / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Versão eletrônica do título comercial será obrigatória a partir de junho de 2027 para grandes empresas e chega às pequenas em junho de 2028. Promessa é de crédito mais barato, mas o silêncio do comprador em até 10 dias passa a valer como aceite.

Lojas e consumidores na Rua 25 de Março
Na 25 de Março, lojas que se abastecem com distribuidores precisarão responder às duplicatas em até 10 dias (imagem ilustrativa) bruno fernandes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A boa e velha duplicata, título que acompanha boa parte das compras a prazo entre fornecedor e loja, está ficando digital. A duplicata escritural, regulamentada pelo Banco Central, será registrada eletronicamente e deve mudar a forma como o comércio antecipa recebíveis e paga seus fornecedores. O tema foi detalhado pelo Diário do Comércio, da Associação Comercial de São Paulo, nesta sexta-feira (23).

O cronograma

O sistema já funciona em fase de testes, com adesão voluntária, e a duplicata em papel segue valendo. Pelo cronograma do Banco Central, a obrigatoriedade chega em etapas, conforme o porte da empresa emissora:

  • Junho de 2027: grandes empresas;
  • Dezembro de 2027: médias empresas;
  • Junho de 2028: pequenas empresas.

O que muda para quem compra

O ponto que mais pede atenção do lojista é o aceite. Hoje, quem recebe uma duplicata pode simplesmente ignorá-la se discordar do valor ou da entrega. Com a nova regra, a empresa compradora terá uma janela de 10 dias para se manifestar, e o silêncio passa a valer como aceite. Ou seja: se chegou cobrança de mercadoria que não veio, ou veio errada, será preciso contestar dentro do prazo.

Em compensação, o comprador ganha transparência. Segundo Ivan Pompeu, CEO da CRDC, registradora ligada à ACSP, a empresa poderá acompanhar em tempo real tudo o que for emitido em seu nome e receberá notificações automáticas a cada vez que o título for negociado com um banco ou fundo.

E para quem vende

Para o atacadista ou distribuidor que antecipa duplicatas para ter capital de giro, a promessa é de crédito mais barato. Com os títulos registrados em sistemas autorizados pelo Banco Central, cria-se uma agenda eletrônica de recebíveis, nos moldes do que já existe com as vendas no cartão, e bancos, fintechs e empresas de fomento podem conferir a carteira diretamente, com menos risco de fraude. Cada empresa vai escolher uma escrituradora, que fará a ponte com o sistema financeiro.

Pequenos negócios já estão de olho: segundo a Pesquisa de Duplicatas 2026, da Núclea com IBPad e Môre Consultoria, empresas com faturamento de até R$ 200 mil aumentaram em 49% o número de operações com duplicatas entre 2024 e 2025, e em 125% o valor movimentado.

Por que isso importa na 25 de Março

A região vive da compra e revenda: lojas que se abastecem com importadores e distribuidores e, muitas vezes, vendem no atacado para comerciantes de outras cidades. Vale já organizar a conferência de pedidos, notas e mercadoria recebida, para que nenhuma cobrança indevida seja aceita por falta de resposta, e conversar com o contador e o banco sobre como a mudança afeta prazos e custo da antecipação.

Com informações do Diário do Comércio (ACSP) e do BP Money.

Fontes

Notícias da 25 de Março