Fim da 6x1 é promulgado e dono do Busca Busca, no Brás, diz que lojistas não vão subir preços; veja os prazos

Lojas e movimento de pedestres na Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo
Comércio na região da 25 de Março: emenda que acaba com a escala 6x1 foi promulgada e dá dois meses para a primeira etapa da nova jornada Rag2.Brazil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Congresso promulgou na sexta (16) a emenda que acaba com a escala 6x1. No Brás, o fundador do Busca Busca defendeu a jornada 5x2 e disse que comerciantes não pretendem repassar custos, enquanto entidades do setor alertam para aumento de despesas. Veja o que muda e quando.

Bancas e consumidores em rua de comércio popular no Brás, em São Paulo
Comércio popular no Brás, onde o fundador do Busca Busca defendeu a jornada 5x2 Milena Dias Pires / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O fim da escala 6x1 deixou de ser projeto: o Congresso Nacional promulgou na sexta-feira (16), em sessão solene, a emenda constitucional que nasceu da PEC 221/2019. O texto havia passado pela Câmara em maio e pelo Senado na quarta-feira (14), por 75 votos a 1, como o 25 de Março Já mostrou.

No comércio popular da região central de São Paulo, a reação mais comentada do fim de semana veio do Brás. O empresário Alex Ye, fundador do Busca Busca e conhecido nas redes como “Chefe do Benefício”, publicou um vídeo em defesa da jornada 5x2. Segundo ele, funcionários que descansam mais atendem melhor, e o cliente bem atendido volta mais vezes.

“Fica tranquilo”, dizem os lojistas, segundo Alex Ye

O empresário contou ter perguntado a lojistas se os produtos ficariam mais caros com a mudança e afirmou que a resposta foi negativa. Ele também disse que as novas lojas do Shopping D já vão abrir com cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana. As declarações foram reproduzidas pelo Diário do Centro do Mundo no sábado (17).

O otimismo não é unânime. A Abrasel, que representa bares e restaurantes, chamou a aprovação de “tragédia socioeconômica anunciada” e estima alta de cerca de 20% nos custos para quem quiser continuar abrindo seis dias por semana. Já a Abrasce, das administradoras de shoppings, calcula risco de perda de cerca de 130 mil empregos formais e lembra que operações com até seis funcionários somam cerca de 60% dos lojistas desses centros.

O que muda e quando

  • Marco inicial: os prazos contam a partir da publicação da emenda no Diário Oficial da União.
  • Dois meses depois: a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais e passa a valer o segundo dia de repouso remunerado, um deles preferencialmente no domingo.
  • Catorze meses depois: o limite chega a 40 horas semanais.
  • Salário: a redução não pode diminuir salários nem pisos.
  • Convenções coletivas: cláusulas de jornada e repouso incompatíveis com as novas regras perdem eficácia no 61º dia após a publicação, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
  • Pequenos negócios: o texto permite que uma lei complementar crie medidas de transição para MEIs, micro e pequenas empresas, condicionadas à manutenção de empregos. Até lá, não há prazo extra automático.

O que o lojista da 25 de Março pode fazer agora

A CNC orienta as empresas a mapear as escalas atuais, calcular se vão precisar contratar ou remanejar pessoal e acompanhar a renegociação das convenções com os sindicatos. A atenção deve ser maior em lojas que abrem aos domingos e feriados, já que o revezamento dominical terá de ser revisto.

Para a região, o calendário pesa: a primeira etapa deve coincidir com o fim do período de vendas de Natal ou cair logo depois, dependendo da data de publicação no Diário Oficial. Vale planejar as escalas de fim de ano já considerando a mudança.

Com informações da Agência Câmara (16/10), do Diário do Centro do Mundo (17/10), do Valor Econômico (15/10), da Abrasel (14/10) e do Migalhas (16/10).

Fontes

Notícias da 25 de Março