A Polícia Militar de São Paulo realizou nesta quarta-feira (21) uma operação para reforçar o combate a roubos e furtos no Brás e no Cambuci, polos comerciais vizinhos da região da 25 de Março. A ação foi feita pelo BRAvO (Batalhão de Resposta Avançada Operacional), que patrulha em motocicletas com dois policiais cada, e mobilizou mais de 110 motos, segundo o governo do estado.
No Brás, o reforço passou por vias como as ruas do Hipódromo, 21 de Abril e Doutor Costa Valente e pela Avenida Alcântara Machado. No Cambuci, as equipes se concentraram na Avenida Arno e em outros pontos de grande movimento. A operação foi coordenada pelo 11º Batalhão Metropolitano, com apoio da Rocam, da Força Tática e de unidades de trânsito. A PM afirma que o foco são áreas com muitos pedestres, trabalhadores e consumidores.
Na véspera, terça-feira (20), o mesmo batalhão atuou na República, no Vale do Anhangabaú e na Vila Buarque, também no centro, com 278 pessoas abordadas, 153 veículos fiscalizados e um foragido preso. Entre 22 de setembro e 20 de outubro, as ações do BRAvO na capital somaram 67 prisões, de acordo com a Polícia Militar.
Insegurança vira custo fixo para o lojista
A operação coincidiu com um alerta da FecomercioSP, publicado na mesma quarta-feira. Segundo sondagem da federação, mais da metade das empresas da capital paulista já investe em câmeras, rondas, alarmes e outras medidas de proteção, um gasto que deixou de ser pontual e passou a fazer parte da conta mensal do negócio.
O efeito vai além do custo. De acordo com o assessor econômico da entidade, Thiago Carvalho, muitos comerciantes percebem queda de movimento em certos horários, principalmente à noite, e parte dos consumidores passou a preferir o delivery para não se expor na rua. Com isso, a loja perde a compra por impulso, justamente a que costuma engordar o tíquete médio no comércio popular.
A sondagem também mostra impacto na equipe: a insegurança dificulta contratar e manter funcionários em 8% das empresas, em média, e em 16% das de grande porte. Roubos e furtos contra a loja, os clientes e os empregados lideram as preocupações dos empresários, seguidos por fraudes, golpes e crimes digitais, à frente de vandalismo e roubo de carga.
O que a FecomercioSP recomenda
- Treinar a equipe: para prevenir furtos, a federação diz que não há alternativa a manter os funcionários atentos ao salão e ao caixa.
- Registrar ocorrências: mesmo com a burocracia, o boletim de ocorrência faz a área entrar nas estatísticas, o que ajuda a orientar rondas policiais para os pontos mais críticos.
- Atenção aos golpes digitais: fraudes em pagamentos e falsos contatos aparecem logo atrás dos furtos entre as preocupações do setor.
O tema ganha peso na reta final do ano, quando o movimento no centro cresce com a Black Friday e as compras de Natal. Nas últimas semanas, lojistas da região já vinham relatando perda de fluxo por causa das chuvas que reduziram em até 30% o movimento na 25 de Março.
Com informações do Governo do Estado de São Paulo/Secom, do São Paulo Agora e da FecomercioSP.
