Fragrâncias intensas, com notas de baunilha, âmbar, madeiras e especiarias, e frascos chamativos: os perfumes árabes deixaram de ser novidade de nicho e viraram um dos segmentos que mais crescem na perfumaria brasileira. Dados da consultoria Circana, publicados neste sábado (24) pelo UOL, mostram que as vendas dessas marcas cresceram 308% em 2025 e mais 63% de janeiro a julho de 2026.
A Circana considera marcas criadas em países da Liga dos Estados Árabes, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Hoje, cerca de 35 marcas árabes operam no país.
Preço de marca nacional, apelo de importado
O preço médio de um perfume árabe no Brasil fica em torno de R$ 250, segundo a consultoria, na mesma faixa das marcas nacionais tradicionais (entre R$ 210 e R$ 260) e bem abaixo dos R$ 660, em média, das grifes internacionais de prestígio. É esse meio-termo que explica boa parte do sucesso: o cliente leva um produto com cara de importado sem pagar preço de perfumaria de luxo. As redes sociais, com vídeos de resenhas e comparações de fragrâncias, ajudaram a popularizar a categoria.

Grandes marcas entram na disputa
O Grupo Boticário afirma ter feito o maior investimento da sua história em um único perfume para lançar o Hadiya, de inspiração árabe, no fim de 2025. O valor não foi divulgado, mas ficou 50% acima da média dos lançamentos do grupo, e a meta para 2026 é crescer 300% no portfólio desse estilo. A Eudora, do mesmo grupo, também lançou uma fragrância com notas de açafrão.
Entre as estrangeiras, a Mawwal, criada em Dubai em 2024, chegou ao Brasil em 2025 e faturou R$ 66 milhões no país entre janeiro e agosto, com previsão de R$ 100 milhões no ano. Quase metade das vendas passa por cerca de 26 mil revendedoras. As fragrâncias são desenvolvidas em Dubai e produzidas numa fábrica no Paraguai.
Contrabando no radar da Receita
O crescimento também atrai quem foge das regras. A Operação Perfume de Mulher, deflagrada em 22 de setembro pela Receita Federal e pelos Ministérios Públicos Federal e de Mato Grosso do Sul, investigou um esquema de importação clandestina de perfumes árabes que entravam pela fronteira de Ponta Porã (MS) e seguiam para depósitos em Campo Grande, São Paulo e Pernambuco, de onde eram vendidos em redes sociais e marketplaces. A Receita estima em R$ 25 milhões as mercadorias apreendidas e atribui ao grupo movimentação de pelo menos R$ 386 milhões entre 2024 e 2026, com uso de empresas de fachada e notas fiscais falsas.
O que isso significa para quem vende
Perfumes árabes já estão entre os itens mais procurados nas lojas de cosméticos e perfumaria da região da 25 de Março, e a tendência de alta deve pesar nas compras para a Black Friday e o Natal, quando beleza e cosméticos aparecem entre as categorias mais desejadas. Para o lojista, o recado é duplo: há demanda firme, mas a fiscalização sobre a origem dos produtos está mais apertada. Comprar de importadores e distribuidores regulares, exigir nota fiscal e guardar a documentação de cada lote reduz o risco de apreensão do estoque, e evita competir com quem vende abaixo do custo por não pagar impostos.
Com informações do UOL, com dados da Circana, do Grupo Boticário, da Mawwal e da Receita Federal.




