Loja virou vitrine da internet? 76% já viram produto na loja e compraram online, aponta Radar Smollan

Esquina da Avenida Senador Queirós com a Rua Barão de Duprat, com lojas e pedestres, no Centro de São Paulo
Esquina da Senador Queirós com a Barão de Duprat, no entorno da 25 de Março: 76% dos consumidores já viram um produto na loja e compraram pela internet Emilio Pechini / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Pesquisa com 1.828 consumidores mostra o vaivém entre balcão e celular: 81% pesquisam na internet antes de ir à loja, 87% já saíram com outro produto e 57% desistiram por não achar o que queriam. Estoque e exposição viram trunfo do varejo físico.

Compradores caminhando pela Ladeira Porto Geral, ao lado da Rua 25 de Março
Na Ladeira Porto Geral e arredores, variedade e compra por impulso são trunfos do varejo físico Janko Hoener / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Ver na loja e fechar a compra pelo celular já faz parte da rotina de 76% dos consumidores brasileiros. É o que mostra a primeira edição do Radar Smollan, levantamento da empresa de soluções para o varejo divulgado pelo g1 nesta sexta-feira (16). A pesquisa foi feita em agosto e reuniu 1.828 conversas com consumidores de 156 cidades em 25 estados.

O caminho também vale ao contrário: 81% disseram pesquisar na internet antes de comprar numa loja física, e 87% contaram que já entraram para levar um produto e saíram com outro. O fenômeno tem nome no varejo — showrooming — e ajuda a explicar a pressão sobre as lojas de rua.

Por que o cliente ainda vai à loja

Para 46,1%, o principal motivo é ver o produto de perto; outros 29,2% valorizam sair com a compra na mão. O peso de cada canal muda com a categoria. Em eletrônicos, a divisão é quase perfeita: 39,6% preferem a loja física, 39% alternam entre os canais e 22% compram só pela internet.

Na hora de decidir, o preço foi citado por 77,7% dos entrevistados, seguido de promoções (61,1%), marca (41,1%), disponibilidade (23,2%) e atendimento (20,6%). Dentro da loja, as ofertas são o que mais chama a atenção para 59,6%.

Falta de produto derruba a venda

O dado que mais pesa para o lojista: 57% já desistiram de uma compra na loja física por não encontrar o que procuravam. E 27% apontam a disponibilidade de produtos como o que mais precisa melhorar nas lojas — à frente do preço (20,9%) e da integração entre loja e internet (17,6%).

Renato Vechiatto, diretor de operações da Smollan para a América Latina, resume que o digital mudou a forma como o consumidor chega à loja, mas não tirou do ponto de venda a capacidade de influenciar a escolha. Quando não dá para cobrir o preço do site, diz ele, o vendedor pode oferecer alternativas, como outro modelo, acessórios ou condições de pagamento — e, para isso, a equipe precisa estar preparada.

O recado para a 25 de Março

Poucos lugares vivem tanto do “entrei para comprar uma coisa e levei outra” quanto a 25 de Março. Bijuteria, acessórios de celular, cosméticos, utilidades, artigos de festa e decoração de Natal são vendidos justamente na base da variedade e da compra por impulso. A pesquisa sugere onde o lojista da região pode ganhar do aplicativo:

  • Estoque cheio nos itens de giro durante Black Friday e Natal, já que a falta de produto manda o cliente para a internet.
  • Exposição e ofertas visíveis, que pesam para seis em cada dez consumidores dentro da loja.
  • Vendedor que conhece o produto e sabe sugerir alternativa quando o cliente chega com o preço do site no celular.
  • Presença no digital, com catálogo e WhatsApp atualizados, para ser encontrado na pesquisa que 81% fazem antes de sair de casa.

A disputa com as plataformas estrangeiras ganhou força depois do fim da “taxa das blusinhas”, como mostrou o 25 de Março Já: as compras internacionais de até US$ 50 subiram 82% em setembro.

Com informações do g1 (16/10/2026) e do Radar Smollan (agosto de 2026).

Fontes

Notícias da 25 de Março