Ver na loja e fechar a compra pelo celular já faz parte da rotina de 76% dos consumidores brasileiros. É o que mostra a primeira edição do Radar Smollan, levantamento da empresa de soluções para o varejo divulgado pelo g1 nesta sexta-feira (16). A pesquisa foi feita em agosto e reuniu 1.828 conversas com consumidores de 156 cidades em 25 estados.
O caminho também vale ao contrário: 81% disseram pesquisar na internet antes de comprar numa loja física, e 87% contaram que já entraram para levar um produto e saíram com outro. O fenômeno tem nome no varejo — showrooming — e ajuda a explicar a pressão sobre as lojas de rua.
Por que o cliente ainda vai à loja
Para 46,1%, o principal motivo é ver o produto de perto; outros 29,2% valorizam sair com a compra na mão. O peso de cada canal muda com a categoria. Em eletrônicos, a divisão é quase perfeita: 39,6% preferem a loja física, 39% alternam entre os canais e 22% compram só pela internet.
Na hora de decidir, o preço foi citado por 77,7% dos entrevistados, seguido de promoções (61,1%), marca (41,1%), disponibilidade (23,2%) e atendimento (20,6%). Dentro da loja, as ofertas são o que mais chama a atenção para 59,6%.
Falta de produto derruba a venda
O dado que mais pesa para o lojista: 57% já desistiram de uma compra na loja física por não encontrar o que procuravam. E 27% apontam a disponibilidade de produtos como o que mais precisa melhorar nas lojas — à frente do preço (20,9%) e da integração entre loja e internet (17,6%).
Renato Vechiatto, diretor de operações da Smollan para a América Latina, resume que o digital mudou a forma como o consumidor chega à loja, mas não tirou do ponto de venda a capacidade de influenciar a escolha. Quando não dá para cobrir o preço do site, diz ele, o vendedor pode oferecer alternativas, como outro modelo, acessórios ou condições de pagamento — e, para isso, a equipe precisa estar preparada.
O recado para a 25 de Março
Poucos lugares vivem tanto do “entrei para comprar uma coisa e levei outra” quanto a 25 de Março. Bijuteria, acessórios de celular, cosméticos, utilidades, artigos de festa e decoração de Natal são vendidos justamente na base da variedade e da compra por impulso. A pesquisa sugere onde o lojista da região pode ganhar do aplicativo:
- Estoque cheio nos itens de giro durante Black Friday e Natal, já que a falta de produto manda o cliente para a internet.
- Exposição e ofertas visíveis, que pesam para seis em cada dez consumidores dentro da loja.
- Vendedor que conhece o produto e sabe sugerir alternativa quando o cliente chega com o preço do site no celular.
- Presença no digital, com catálogo e WhatsApp atualizados, para ser encontrado na pesquisa que 81% fazem antes de sair de casa.
A disputa com as plataformas estrangeiras ganhou força depois do fim da “taxa das blusinhas”, como mostrou o 25 de Março Já: as compras internacionais de até US$ 50 subiram 82% em setembro.
Com informações do g1 (16/10/2026) e do Radar Smollan (agosto de 2026).