O número de brasileiros com contas em atraso voltou a crescer. Em setembro de 2026, o país somava 75,05 milhões de inadimplentes, o equivalente a 44,67% da população adulta, segundo o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgado nesta terça-feira (20).
De agosto para setembro, a quantidade de devedores aumentou 2,07%, saindo de 73,53 milhões. Já o número de dívidas em atraso subiu 3,07% no mês e 13,62% na comparação com setembro de 2025.
Quem deve e quanto
Em média, cada inadimplente devia R$ 5.240,29, espalhados por cerca de 2,36 credores. Boa parte das pendências, porém, é de valor baixo: 28,69% dos negativados tinham dívidas de até R$ 500, fatia que chega a 40,75% quando o limite sobe para R$ 1.000.
A faixa dos 30 aos 39 anos concentra o maior grupo, com 18,06 milhões de pessoas, mais da metade (53,30%) de todos os brasileiros nessa idade. Entre as regiões, o Sul teve a maior alta anual no número de devedores (9,75%), e o Sudeste ficou em 5,60%. No Centro-Oeste, 48,74% dos adultos estão negativados, a maior proporção do país.
Bancos lideram, comércio recua
Os bancos respondem por 65,95% das dívidas em atraso, seguidos por contas de água e luz (10,14%). O setor de comércio fica com 8,12% e foi o único a registrar queda no período, de 1,77% no total de dívidas. As maiores altas vieram de comunicação (17,84%), bancos (12,89%) e água e luz (12,08%).
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, os juros elevados encarecem o crédito e comprometem uma parte maior da renda, o que dificulta a saída do cadastro de devedores. Já o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, avalia que os programas de renegociação ajudam, mas não resolvem sozinhos o problema, porque muita gente deve a vários credores ao mesmo tempo. Para quem tem pequeno negócio, também há regras próprias de renegociação, como as do Prospera MEI.
O que isso significa para o lojista da 25 de Março
- Cliente com orçamento curto: com quase metade dos adultos negativada, o consumidor de fim de ano tende a priorizar preço baixo e compras menores, algo que já aparece nas vendas fracas de setembro.
- Cuidado com o fiado e o crediário: a queda das dívidas com o comércio pode refletir lojas mais seletivas na hora de vender a prazo; consultar o CPF antes de parcelar continua sendo uma boa prática.
- Pagamento à vista e Pix: descontos para pagamento imediato ajudam a girar estoque sem aumentar o risco de calote antes de Black Friday e Natal.
Com informações da CNDL, do SPC Brasil e do Poder360.
