O empresário do comércio paulistano chegou ao último trimestre do ano mais cauteloso, e desta vez a desconfiança atingiu em cheio as empresas maiores. Segundo pesquisa da FecomercioSP divulgada nesta semana, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) entre os negócios com mais de 50 empregados caiu de 105,8 para 93,9 pontos em setembro, um tombo de 11,2% em relação a agosto.
O resultado chama a atenção porque, normalmente, as grandes empresas se mostram bem mais otimistas que as pequenas. Em setembro, a distância entre os dois grupos, que passava de 11 pontos, ficou abaixo de 1 ponto. Os pequenos negócios também recuaram, mas pouco: de 94,1 para 93,3 pontos (-0,9%).
Vendas fracas e margem apertada
No índice geral, a confiança caiu 1,1%, para 93,3 pontos, interrompendo dois meses de alta. O que mais pesou foi a avaliação do momento atual, que recuou 3,6%, sinal de vendas mais fracas e margens pressionadas. A nota que os empresários dão à situação do próprio negócio caiu de 85,2 para 82,2 pontos, e a avaliação da economia, de 55 para 53,2.

As expectativas para os próximos meses, por outro lado, ficaram praticamente estáveis, em 117,2 pontos, ou seja, o comerciante ainda acredita em melhora, mas não quer arriscar agora. Para a federação, juros altos, consumidor endividado e crédito caro colocaram o varejo em "estado de alerta", e o cenário político ajuda a adiar decisões de investimento maiores.
Investimento e expansão no freio
A intenção de investir caiu pelo oitavo mês consecutivo (de 96,8 para 96,1 pontos). Já o Índice de Expansão do Comércio (IEC), que mede a disposição de abrir lojas e contratar, recuou 1,6%, para 99,1 pontos, o menor nível desde maio de 2025. São sete quedas seguidas, a mesma sequência registrada no começo da pandemia, e o indicador voltou a ficar abaixo de 100, faixa em que o pessimismo supera o otimismo.
A exceção é a contratação: a expectativa de admitir funcionários perdeu fôlego (-1,4%, para 112,4 pontos), mas segue 4,5% acima de um ano atrás, puxada pelo reforço de equipes para o fim de ano.
O que isso significa para o lojista da 25
Para quem compra estoque para o Natal na região da 25 de Março, o quadro pede prudência: com crédito caro e cliente endividado, vale negociar prazo com o fornecedor, evitar comprar além do que o caixa aguenta e priorizar os itens de giro rápido da temporada.
Com informações da FecomercioSP e do Monitor Mercantil.




