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Inadimplência das empresas bate recorde: 9,3 milhões de CNPJs no vermelho, e São Paulo lidera com 3,2 milhões

Lojas e movimento na Ladeira Porto Geral, na região da 25 de Março
Ladeira Porto Geral, na região da 25 de Março: comércio responde por 32% das empresas negativadas (imagem ilustrativa) Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

Indicador da Serasa Experian mostra alta de 14,3% em um ano no número de empresas negativadas, com R$ 244,4 bilhões em dívidas. Comércio responde por 32% dos CNPJs inadimplentes, e micro e pequenas empresas são 8,8 milhões.

Consumidores e lojas na Rua 25 de Março, em São Paulo
São Paulo tem 3,17 milhões de empresas com dívidas em atraso, segundo a Serasa (imagem ilustrativa) Dornicke / Wikimedia Commons (domínio público)

O número de empresas com contas atrasadas no Brasil chegou a 9,3 milhões de CNPJs em agosto, um recorde no Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. A alta é de 14,3% em relação a agosto de 2025. Ao todo, são 68,2 milhões de dívidas negativadas, que somam R$ 244,4 bilhões. Os números foram repercutidos nesta sexta-feira (23) pelo Sindilojas-SP e pelo Monitor Mercantil.

Em média, cada empresa no vermelho acumula 7,4 contas negativadas e uma dívida de cerca de R$ 26,3 mil. Há um sinal de desaceleração: segundo a Serasa, o ritmo de crescimento anual caiu de 28,7% para 14,3%, mas o indicador segue com alta de dois dígitos.

Comércio e pequenos negócios no centro do problema

  • Por setor: serviços concentram 56% das empresas negativadas, seguidos pelo comércio, com 32%, e pela indústria, com 8%;
  • Por porte: as micro e pequenas empresas somam 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes, com R$ 211 bilhões em dívidas e média de R$ 23,9 mil por empresa;
  • Origem das dívidas: contas com fornecedores de serviços lideram (31,7%), seguidas por bancos e cartões (19,7%), cooperativas (8,5%), contas de consumo como luz e água (6,7%) e telefonia (6,2%).

São Paulo lidera o ranking

O estado de São Paulo tem 3,17 milhões de empresas negativadas, à frente de Minas Gerais (927 mil), Rio de Janeiro (880 mil), Paraná (613 mil) e Rio Grande do Sul (539 mil). Os paulistas também têm a maior dívida média do Sudeste, de cerca de R$ 28,1 mil por CNPJ. Só no Sudeste, são mais de 5,1 milhões de empresas inadimplentes.

Mais procura por crédito

Ao mesmo tempo, as empresas estão indo mais ao banco: a busca por crédito cresceu 11,2% em 12 meses até agosto no país e 13% em São Paulo. Entre as micro e pequenas, a alta foi de 11,4%. No comércio, a procura subiu 6,8% no período. As concessões de capital de giro mais que dobraram (+113,9%).

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, esse movimento tem mais a ver com a necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que com a redução de dívidas ou a expansão dos negócios. A Serasa aponta o crédito caro e a pressão sobre o caixa entre os principais desafios, sobretudo para as empresas menores. Para o lojista, o momento pede atenção redobrada: negociar prazos com fornecedores antes do atraso, evitar crédito caro para cobrir despesas fixas e conferir o histórico de clientes que compram a prazo no atacado, especialmente com o movimento de fim de ano já começando.

Do lado do consumidor, o quadro também preocupa: a inadimplência das pessoas físicas chegou a 75 milhões de brasileiros em setembro. E, para quem compra a prazo do fornecedor, vale entender o que muda com a duplicata digital.

Com informações da Serasa Experian, do Sindilojas-SP (Estadão Conteúdo) e do Monitor Mercantil.

Fontes

Notícias da 25 de Março

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