A onda dos cosméticos sul-coreanos, a chamada K-beauty, deixou de ser só assunto de rede social e virou disputa comercial. Reportagem do Panorama Farmacêutico publicada nesta segunda-feira (26) mostra que as importações brasileiras de produtos de beleza e cuidados pessoais vindos da Coreia do Sul cresceram 49,6% entre janeiro e novembro de 2025, saltando de US$ 21,6 milhões para US$ 32,3 milhões. Em volume, a alta foi ainda maior, de 86,8%, segundo dados do ComexStat compilados pela Abihpec, a associação da indústria de higiene, perfumaria e cosméticos.
A mesma entidade contabilizou 7.359 lançamentos de produtos de beleza e cuidados pessoais no país em 2025, num mercado que movimentou cerca de R$ 200 bilhões no ano.
Farmácias e indústria entram no jogo
O interesse chamou a atenção das grandes redes. Segundo o Panorama Farmacêutico, grupos como o DI e a Nissei ampliaram o espaço para marcas asiáticas, e a Nissei diz querer quebrar a ideia de que esses produtos são só para quem tem mais dinheiro. Já a farmacêutica Cimed, de acordo com a Exame, vai lançar em novembro a Mili, sua primeira linha de skincare, fabricada na Coreia do Sul, com investimento de R$ 80 milhões e preços entre R$ 100 e R$ 200 por item.

Ou seja: o consumidor que antes encontrava sérum, máscara facial e protetor coreano quase só em lojas especializadas, no comércio popular e na internet vai passar a ver esses produtos também na gôndola da farmácia do bairro.
O que isso muda para quem vende cosméticos
Especialistas ouvidos pela reportagem lembram que viralizar não é o mesmo que vender sempre. “Uma marca pode chegar ao Brasil, viralizar e ainda assim não construir mercado”, resume Cláudia Martins, da consultoria CM Impacta. Para o varejo, o texto aponta cinco frentes que valem também para a loja de cosméticos da 25 de Março e arredores:
- Escolher bem as marcas, olhando procedência, regularização e faixa de preço, em vez de encher a prateleira de rótulos sem identidade.
- Organizar a exposição por necessidade (limpeza, hidratação, tratamento), e não só pela origem do produto, para o cliente não se perder.
- Treinar a equipe para explicar ativos, texturas e modo de uso sem promessas exageradas.
- Planejar a reposição, já que a demanda puxada por tendência cresce rápido e a importação demora. Faltar produto logo depois do pico abre espaço para o concorrente.
- Acompanhar giro, margem e recompra, e não só curtidas e alcance.
A questão da procedência pesa ainda mais no comércio popular. Como o 25 de Março Já mostrou no caso dos perfumes árabes, categorias importadas que explodem nas redes também entram no radar da fiscalização. Cosmético precisa de regularização na Anvisa e rótulo em português, e o lojista que compra de fornecedor com nota e documentação em dia vende com mais tranquilidade.
Com informações do Panorama Farmacêutico, da Exame e da Abihpec.




