A inteligência artificial já faz parte da conversa no varejo, mas ainda está longe de chegar à rotina da maioria das lojas. Uma pesquisa do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA), divulgada neste domingo (25) pela colunista Giane Guerra, do portal GZH, mostra que só 32% dos comerciantes da capital gaúcha usam alguma ferramenta de IA. E apenas 12% dizem que a tecnologia já está incorporada ao dia a dia da loja; os outros 20% usam de vez em quando.
No outro extremo, 36% afirmam que não usam e não pretendem usar. Outros 20% ainda não usam, mas querem começar, e 10% estão testando sem uso definido. Somando quem usa, quem testa e quem pretende adotar, cerca de dois terços dos lojistas ouvidos já têm ou querem ter alguma relação com a tecnologia.
Na vitrine e no balcão, não na gestão
O uso mais comum é no atendimento ao cliente: respostas automáticas e robôs de conversa no WhatsApp. Em seguida aparecem a edição de imagens e a criação de textos para as redes sociais. Nenhum entrevistado disse usar IA para definir preço, prever demanda ou recrutar funcionários. "O uso está na vitrine e no balcão. A gestão do negócio ainda não foi alcançada", resumiu ao GZH o coordenador da pesquisa, Victor Pires.

Entre os obstáculos citados estão a falta de tempo, já que normalmente é o próprio dono quem teria de cuidar da ferramenta, e o custo. Ainda assim, 71% dos que usam IA preferem as versões gratuitas. Outro ponto que chamou atenção foi a preocupação com os dados dos clientes: orientação sobre a LGPD, a lei de proteção de dados, virou uma demanda concreta de quem já adotou a tecnologia.
O que isso tem a ver com a 25 de Março
A pesquisa é de Porto Alegre, mas o retrato se parece com o de muitos polos de comércio popular, onde a loja é tocada pela família e o WhatsApp já é o principal canal de venda para revendedores de outras cidades. Como o 25 de Março Já mostrou, o aplicativo virou o canal preferido do cliente às vésperas da Black Friday. Para o lojista da região, o recado é que a IA gratuita já ajuda a responder mais rápido no WhatsApp, a montar catálogo e a escrever descrição de produto. O próximo passo, ainda pouco explorado, é usar a tecnologia para olhar o estoque e o preço, sempre com cuidado com os dados pessoais dos clientes.
Com informações do GZH e do Sindilojas Porto Alegre.




