A Chilli Beans, rede brasileira de óculos escuros, relógios e acessórios fundada por Caito Maia, entrou na noite de sexta-feira (30) com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 340 milhões em dívidas.
Segundo o comunicado da empresa, o plano foi costurado antes com os principais credores e prevê um aporte de até R$ 50 milhões. O Itaú, a Akron Capital e a gestora Vega atuam como financiadores âncora da operação.
Só dívida com bancos entra na conta
A renegociação muda prazos e condições de pagamento das dívidas com instituições financeiras. De acordo com a companhia, fornecedores, funcionários e outros parceiros comerciais não estão incluídos no acordo. Na recuperação extrajudicial, diferentemente da judicial, a empresa negocia direto com os credores e o Judiciário entra basicamente para homologar o que foi combinado.

Caito Maia atribuiu o aperto principalmente aos juros elevados e à inadimplência dos franqueados, que chegou a 22% depois da pandemia e hoje estaria perto de 4%. Com a Selic em 13,75% ao ano, o crédito fica mais caro para a empresa e para o consumidor que depende do parcelamento.
Vendas em queda em 2026
A rede mantém cerca de 900 franquias no Brasil e está em mais de 14 países. Mesmo no meio da crise, abriu nove pontos de venda no país em outubro e outros quatro na América Latina. O faturamento, de acordo com as reportagens, passou de R$ 890 milhões em 2023 para cerca de R$ 1 bilhão em 2025, mas a própria empresa projeta R$ 940 milhões em 2026, uma queda de 6%. Para o ano que vem, quando a marca completa 30 anos, o fundador promete mais foco em “qualidade e eficiência do que quantidade”.
O recado para o lojista de acessórios
A Chilli Beans é mais um grande nome do varejo a recorrer à renegociação de dívidas em poucas semanas: a Ri Happy, líder em brinquedos, teve seu pedido de recuperação extrajudicial aceito pela Justiça de São Paulo no dia 23 de outubro. Para quem vende óculos, bijuterias e acessórios na 25 de Março e no entorno, o caso reforça o cuidado com estoque e capital de giro num fim de ano de juros altos, consumidor endividado e crédito caro, justamente na reta da Black Friday e do Natal.
Com informações do Jornal de Brasília e do Blog do BG.




