As obras de requalificação dos calçadões do Centro de São Paulo, que começaram em julho de 2025, seguem pesando no caixa de quem trabalha nas ruas de pedestres da região. Uma reportagem do Metrópoles voltou às ruas da República e encontrou comerciantes relatando queda de 30% a 40% no faturamento, com casos de até 70%.
O 25 de Março Já já havia mostrado, em meados de outubro, os atrasos no cronograma e a queda de movimento relatada por comerciantes vizinhos da 25. Agora, os números apurados mostram o tamanho do prejuízo para quem está no meio do canteiro.
Dom José de Barros é o trecho mais crítico
A situação mais difícil hoje é a da Rua Dom José de Barros. Por lá, o dono de um restaurante disse que o negócio está “na UTI” e que teme demitir funcionários se a obra se arrastar. Em um bar da rua, a proprietária calcula perda de 70%, principalmente porque não pode mais colocar mesas na calçada, que era o que lotava a casa nas noites de sexta e sábado. Ela contou que tem usado o lucro de outras duas lojas para pagar o aluguel do bar. Outro comerciante que tentou pôr mesas mesmo com a interdição acabou multado em R$ 5,9 mil.

Os lojistas reclamam também da falta de apoio. Segundo a reportagem, na única reunião com a Prefeitura não se falou em nenhum tipo de compensação, como desconto no IPTU, e a previsão passada aos comerciantes era de cerca de 90 dias de obra por trecho. Na Dom José de Barros, a conclusão estaria prevista para novembro ou dezembro, prazo que os próprios comerciantes veem com desconfiança.
Obra acabou, mas o cliente não voltou
Na Rua Marconi, onde a requalificação está quase pronta, os comerciantes dizem que o movimento ainda não se normalizou. O trabalho, que deveria levar 90 dias, durou cerca de um ano e dois meses. Uma lanchonete na esquina com a Barão de Itapetininga calcula ter perdido 40% do faturamento e diz ter recuperado só metade disso desde o fim da obra. Um restaurante passou a abrir apenas no almoço depois de ver o movimento noturno sumir.
A Rua 7 de Abril também está adiantada, mas já mostra bocas de lobo quebradas e piso tátil danificado. Ainda assim, os comerciantes reconhecem ganhos: o visual melhorou, a acessibilidade avançou e o piso novo resolve os buracos e as poças das antigas pedras portuguesas. Na Rua Conselheiro Crispiniano, a obra parou depois que trilhos de bonde foram redescobertos sob o calçadão, e o Iphan foi acionado.
O que isso diz para a região da 25
O projeto de calçadões inclui o Triângulo Histórico, colado à região da 25 de Março, onde a requalificação está praticamente concluída. A experiência das ruas da República é um recado para o lojista do entorno: obra no pé da loja costuma durar mais do que o prometido, e vale se preparar com antecedência, reforçando venda por WhatsApp, entrega e sinalização para o cliente achar a porta no meio dos tapumes, principalmente com Black Friday e Natal chegando.
Com informações do Metrópoles.




