A poucas semanas da Black Friday e do Natal, o lojista brasileiro está mais pessimista do que em qualquer momento desde a pandemia. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 2,7% em outubro, para 96,7 pontos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29). Foi o quarto recuo seguido e o nível mais baixo desde maio de 2021, quando o índice marcou 94,5 pontos.
A piora veio sobretudo da avaliação do momento presente. O indicador de condições atuais despencou 5,5%, para 68,2 pontos, e 78,2% dos empresários ouvidos disseram que a economia está pior, a maior fatia desde maio de 2021. As expectativas recuaram 1,3%, e a intenção de investir, 2,4%. A intenção de contratar funcionários caiu 2,8%, justamente no período em que o varejo costuma reforçar as equipes para o fim do ano.
Roupas, tecidos e acessórios lideram a queda
Entre os segmentos, o mais pessimista foi o de bens semiduráveis. A confiança das lojas de roupas, calçados, tecidos e acessórios caiu 5,4% no mês, para 97,3 pontos. Supermercados, farmácias e lojas de cosméticos recuaram 2,7%, e o grupo de eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e decoração caiu 2,8%. São justamente as categorias que dominam as vitrines da região da 25 de Março.

Na leitura da CNC, um dos fatores é a concorrência dos produtos importados que chegam direto ao consumidor, ainda mais depois do fim do imposto federal sobre compras de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Dados da Receita citados pela entidade mostram que as remessas internacionais declaradas passaram de 14,4 milhões para 25,7 milhões, alta de 78,7%, e que o valor dessas importações subiu 84,3%, para US$ 523,2 milhões. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, também aponta o endividamento das famílias como freio para as vendas.
O retrato nacional repete o que a FecomercioSP já tinha mostrado para a capital paulista, onde a confiança das grandes lojas caiu 11%, como o 25 de Março Já noticiou. Para o lojista, o recado é planejar estoque e equipe temporária com cautela, apostando em preço claro e atendimento, já que o cliente deve chegar seletivo à reta final do ano.
Com informações da CNC, do Valor Econômico e da Gazeta do Povo.




