A Receita Federal divulgou o balanço final da Operação Dédalo, que esvaziou um prédio na Rua Boa Vista, no Centro Histórico de São Paulo, a poucos passos da Ladeira Porto Geral e da Rua 25 de Março. Ao todo, foram retidos 27.924 volumes, com cerca de 530 toneladas e valor estimado em R$ 70 milhões. Para tirar tudo do edifício foram necessários 66 caminhões.
Os números foram informados pela Seção de Comunicação Institucional da Receita em São Paulo ao Diário do Comércio, publicação da Associação Comercial de São Paulo, cuja sede fica na mesma rua.
Do chamado da PM ao labirinto de depósitos
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal em 23 de setembro. Tudo começou quando a Polícia Militar atendeu uma ocorrência de suposto cárcere privado no imóvel, no número 84 da Boa Vista. Além da prisão de um suspeito, os policiais encontraram vários depósitos cheios de mercadorias estrangeiras sem nota fiscal, o que levou ao acionamento da PF e, depois, da Receita.

O nome da ação, Dédalo, faz referência ao labirinto da mitologia grega, e não por acaso: o prédio tem dez andares e dois mezaninos tomados por produtos. Na primeira vistoria, em 25 de setembro, as equipes só conseguiram acessar quatro depósitos. Com autorização judicial para vasculhar o edifício inteiro, Receita e PF voltaram ao local e abriram os demais espaços. Num balanço parcial divulgado no fim de setembro, apenas 3,5 mil volumes, avaliados em R$ 5 milhões, tinham sido retirados em sete caminhões, e a previsão era de um mês de trabalho.
O que havia no prédio
Segundo a Receita, foram encontrados produtos com indícios de contrabando e descaminho, além de mercadorias falsificadas, como copos, brinquedos e peças de vestuário. Na época, a imprensa também registrou a apreensão de centenas de iPhones, camisetas da Seleção Brasileira e ferramentas elétricas. A ação envolveu a PF, a Divisão de Vigilância e Repressão ao Contrabando e Descaminho (Direp) da Receita e o Comando de Policiamento de Área Metropolitana 1 (CPA/M-1) da PM, que guardou o edifício durante toda a remoção.
As mercadorias agora passam pelos procedimentos de fiscalização e análise. As autoridades não divulgaram a quem pertencia o estoque nem para quem ele seria vendido. Para o lojista da região, o caso reforça um alerta conhecido: comprar de fornecedor sem nota fiscal e sem procedência comprovada é arriscar perder a mercadoria inteira numa fiscalização, e o comércio regular da 25 é quem mais sofre com a concorrência desleal desses estoques.
Com informações do Diário do Comércio, da Polícia Federal e da Receita Federal.




