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Varejo paulista deve abrir só 20,5 mil vagas para Black Friday e Natal, o pior resultado em seis anos

Projeção da FecomercioSP para outubro e novembro fica abaixo dos 23,9 mil postos do ano passado. Supermercados e lojas de roupas e calçados concentram até 65% das contratações, e o fim da escala 6x1 deixa empresas mais cautelosas.

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Movimento de compradores na Ladeira Porto Geral, no Centro de São Paulo
Ladeira Porto Geral, na região da 25 de Março (imagem ilustrativa) Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

O comércio varejista do Estado de São Paulo deve fechar outubro e novembro com saldo de cerca de 20,5 mil vagas com carteira assinada, segundo projeção divulgada nesta terça-feira (3) pela FecomercioSP. As contratações são puxadas pela Black Friday, pelo Natal e pelo dinheiro extra do 13º salário, mas o número é menor que os 23,9 mil postos abertos no mesmo período de 2025. Se a conta se confirmar, será o pior desempenho para essa época desde 2020.

A maior parte das vagas deve ficar com supermercados e lojas de vestuário e calçados, que respondem por 60% a 65% do total. As funções mais procuradas são as de sempre no fim de ano: vendedor, atendente, operador de caixa e repositor.

Por que o número caiu

A federação aponta dois motivos principais. O primeiro é o movimento fraco nas lojas: o faturamento real do varejo paulista recuou 6,1% no acumulado do ano até julho e 3,5% em 12 meses, segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, feita com dados da Secretaria da Fazenda. Com menos vendas, o lojista segura a contratação. O segundo é a base alta de comparação: em novembro de 2025 o setor bateu o recorde de empregados formais da série, e desde então vem ajustando o quadro. De janeiro a agosto deste ano, o varejo do estado fechou pouco mais de 11 mil postos.

Lojas de roupas na Rua José Paulino, no Bom Retiro
Lojas de vestuário estão entre as que mais contratam no fim de ano (imagem ilustrativa) Eli Kazuyuki Hayasaka / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A FecomercioSP também lista riscos que podem deixar o saldo abaixo da projeção, como novos fechamentos de lojas de grandes redes em crise ou em recuperação judicial e o fim da escala 6x1. Com a jornada menor e a hora trabalhada mais cara, empresas que já vinham automatizando funções, como os supermercados com caixas de autoatendimento, tendem a contratar menos temporários.

O que isso significa para o lojista

Para quem vende no atacado e no varejo da região da 25 de Março, a leitura é de um fim de ano mais contido que o de 2025, o que pede cuidado com estoque e com o tamanho da equipe extra. A federação lembra que o contrato temporário vale por até 90 dias e recomenda usar esse período para avaliar assiduidade, pontualidade e produtividade dos contratados, de olho em quem pode ser efetivado depois das festas.

Com informações da FecomercioSP e do ABC do ABC.

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