O primeiro dia útil depois do segundo turno foi de susto no câmbio. Com a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados do TSE citados pelo Valor Investe, o dólar disparou nesta segunda-feira (26). Pela manhã, a moeda americana subiu mais de 12% e encostou em R$ 5,60, a maior cotação desde o fim de julho do ano passado.
A taxa oficial do Banco Central, a Ptax, que serve de referência para muitos contratos de importação, fechou o dia em R$ 5,5007 na venda. Na sexta-feira (23), estava em R$ 5,0377, uma alta de pouco mais de 9% de um pregão para o outro. Ao longo da tarde o mercado se acalmou um pouco: segundo a InfoMoney, às 14h47 o dólar à vista subia 9,18%, a R$ 5,45, e o Valor Investe registrava R$ 5,41 por volta das 16h. A B3 chegou a ampliar os limites de oscilação dos contratos futuros de dólar por causa da volatilidade.
A leitura dos analistas é que o mercado vinha apostando na vitória da oposição e não estava preparado para o resultado. Por isso, parte da alta pode ser ajuste de curto prazo, e o patamar dos próximos dias vai depender dos sinais do governo sobre as contas públicas.

Por que isso importa na 25 de Março
Bijuteria, brinquedos, acessórios de celular, eletrônicos, artigos de festa e enfeites de Natal: boa parte do que se vende na região da 25 de Março chega de fora, principalmente da Ásia, e é paga em dólar. Quando a moeda sobe, a próxima leva de mercadoria fica mais cara para o importador e para o atacadista, e esse custo tende a chegar ao varejo.
A conta é simples: um lote de US$ 10 mil custava cerca de R$ 50,4 mil com a Ptax de sexta. Com a de hoje, passa de R$ 55 mil, antes de frete, impostos e despesas de desembaraço, que em parte também são calculados sobre o valor em reais.
O que o lojista pode fazer agora
- Não remarcar o estoque inteiro no susto. Mercadoria comprada com o dólar mais baixo não ficou mais cara. Um dia de pânico no câmbio não é tendência, e preço que sobe e desce espanta o cliente.
- Rever as próximas encomendas. Quem ainda vai fechar pedido para o fim de ano ou para o Carnaval de 2027 deve conversar com o fornecedor sobre a cotação usada e, se possível, esperar o câmbio assentar antes de fechar volumes grandes.
- Olhar o caixa e os prazos. Para quem tem pagamento em dólar a vencer, vale avaliar com o banco ou o despachante formas de travar a cotação.
- Usar o câmbio a favor no balcão. O dólar alto também encarece as compras que o consumidor faz em sites estrangeiros, cobradas em moeda americana. Isso pode devolver parte da vantagem a quem tem o produto na prateleira, pronto para levar.
O 25 de Março Já já mostrou como as compras internacionais de pequeno valor dispararam neste ano. Com o dólar mais caro, essa disputa entre a loja física e as plataformas estrangeiras pode mudar de figura nas próximas semanas.
Com informações do Valor Investe, da InfoMoney e do Banco Central (Ptax).




