O consumidor da cidade de São Paulo está um pouco mais confiante, mas ainda não está disposto a abrir a carteira. É o que mostram dois indicadores divulgados nesta quinta-feira (22) pela FecomercioSP, a federação do comércio paulista, com dados de setembro.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,2%, para 121,1 pontos, e interrompeu uma sequência de duas quedas. Na comparação com setembro de 2025, a alta é de 9,9%. Já a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 0,2%, para 110,7 pontos, no sétimo mês seguido de baixa, sequência que começou em março. O índice continua acima dos 100 pontos, linha que separa avaliação positiva de negativa, e está 4,6% acima de um ano atrás.
Emprego segura, dívidas travam
Segundo a federação, o mercado de trabalho aquecido e a renda ainda dão sustentação ao consumo: o item emprego atual ficou em 141,2 pontos, o mais alto do índice, e 53,7% dos entrevistados se dizem seguros no trabalho. O problema está no orçamento. Juros elevados e o peso das dívidas reduzem o dinheiro que sobra para novas compras, sobretudo as parceladas.
Dois números chamam atenção para quem vende no varejo. O nível de consumo atual caiu 1,3%, para 86,9 pontos, abaixo da linha de satisfação. E a perspectiva profissional recuou pela quarta vez seguida, com 42,8% dos consumidores avaliando mal suas chances de crescer no emprego, o que tende a deixar as famílias mais cautelosas. Por outro lado, a perspectiva de consumo subiu 1,1%, para 107,3 pontos, a 13ª alta consecutiva na comparação anual: o paulistano diz que pretende comprar mais nos próximos meses, embora ainda não esteja fazendo isso.
Na confiança, houve diferença por idade. Entre quem tem 35 anos ou mais, o índice subiu 4,6%, enquanto entre os mais jovens caiu 2,2%.
O que isso significa para o lojista da 25 de Março
Para a FecomercioSP, Black Friday e Natal ainda devem se apoiar no emprego, na renda e no décimo terceiro salário, mas com uma demanda mais seletiva: cliente comparando preço, olhando condição de pagamento e pesando cada compra no orçamento. A federação recomenda aos empresários:
- Planejar o estoque com cuidado, sem apostar em volumes muito acima dos do ano passado;
- Ter várias faixas de preço, com opções de entrada para quem quer gastar menos;
- Oferecer condições de pagamento claras e compatíveis com o bolso do consumidor.
O retrato combina com o que lojistas da região vêm relatando. Lojas de decoração do centro viram a procura por artigos de Natal começar mais cedo, enquanto a inadimplência voltou a subir em setembro e operadoras logísticas esperam uma Black Friday espalhada por todo o mês de novembro.
O ICC é apurado com cerca de 2,1 mil consumidores e a ICF com cerca de 2,2 mil, todos moradores da capital paulista.
Com informações da FecomercioSP e do Monitor Mercantil.
